Digitalizado por: Anselmo Goldman
1. O CONCEITO de liberdade é de origem celeste. Escravidão, compulsão e força são incompatíveis com o caráter de nosso Pai celestial. Não é da vontade ou dos planos de Deus que uma nação escravize outra. Quando os egípcios trataram os descendentes de Jacó como escravos, Deus cobriu de pragas aquela nação e seu orgulhoso e tirano monarca. Mas, a despeito das poderosas manifestações do poder divino, Faraó teimosamente recusou libertar Israel até que o primogênito de cada lar descrente, por todo o vasto reino do Egito, morreu. Após recobrarem-se de seus temores dos juízos retributivos de Deus, os egípcios perseguiram os israelitas somente para perecerem nas profundezas do Mar Vermelho. Apesar do episódio ter-se passado há 35 séculos, o povo judeu por toda parte até o presente tem celebrado a Páscoa em comemoração dessa milagrosa libertação da escravidão egípcia.
2. A Páscoa é comumente conhecida como o Festival da Liberdade. A forma atual de sua observância pelos judeus, todavia, difere vastamente da maneira em que os antigos a celebravam. Estes últimos seguiam a precisa instrução, tal como lhes foi dada por Deus mediante Moisés.
3. A fim de captar a plena significação da Páscoa e seu profundo e sublime simbolismo, é necessário estudar as instruções divinas registradas no Santo Escrito. Uma contemplação, acompanhada de oração, dessa instrução original revelará que o Deus que odeia a escravidão física, detesta igualmente a mais perniciosa e degradante de todas
as escravidões — a escravidão espiritual ao pecado.
4. Na celebração da festa da Páscoa, a característica mais essencial era o cordeiro pascal. Antes de o divino decreto contra os primogênitos ser aplicado, Deus disse a Moisés:
• "Fala a toda a congregação de Israel, dizendo: No décimo dia deste mês tomarão para si cada homem um cordeiro, segundo a casa de seus pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for muito pequena para um cordeiro, então convidará ele o vizinho mais próximo à sua casa, conforme o número das almas; cada homem, conforme o que cada um puder comer, por aí calcula-reis quantos bastem para o cordeiro.
"O cordeiro será sem defeito, um macho de um ano; podereis tomar um cordeiro ou um cabrito; e o guardareis até ao décimo quarto dia do mesmo mês; e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará ao crepúsculo [isto é, por volta das três horas da tarde],
"Tomarão do sangue e o aspergirão em ambas as ombreiras, e na verga da porta das casas em que o comerem, e comerão a carne naquela noite, assada no fogo; com pães ázimos e ervas amargas a comerão....
"Desta maneira o comereis: com os lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis às pressas: é a páscoa do SENHOR...
"O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes: quando Eu vir o sangue, passarei por vós e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito..."
"O cordeiro há de ser comido numa só casa; da sua carne não levareis fora da casa, nem lhe quebrareis nenhum osso." Êxodo 12: 3-8, 11, 13, 46 (H).
5. O fiel cumprimento da instrução acima envolvia estes pontos principais:
(a) O cordeiro pascal (ou cabrito) devia ser escolhido no décimo dia de Abibe, o primeiro mês, e devia ser mantido à parte, até o décimo quarto dia desse mês.
(b) O cordeiro devia ser sem mancha.
(c) Deveria ser morto no décimo quarto dia, à tardinha.
(d) O sangue derramado devia ser espargido sobre os umbrais das portas da casa.
(e) A carne do animal era assada no fogo, para ser comida naquela noite.
(f) Devia ser comida com pão não levedado.
(g) Nem um osso deveria ser quebrado.
6. Era imperativo cumprir todas essas divinas instruções. Na verdade, tratava-se de uma questão de vida ou morte. Houvessem os israelitas, desconsiderado, em qualquer particular, as instruções dadas eles, juntamente com os egípcios, haveriam perdido seus primogênitos pela mão do destruidor.
Não seria sua ilustre ascendência ou sua identidade étnica que os salvaria da décima praga, naquela inesquecível noite do destino. O Senhor mesmo havia determinado à Israel a única forma possível de escape:
"O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes: quando Eu vir o sangue, passarei por vós e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito." Êxodo 12: 13 (H).
7. Pela sua obediência, Israel deu evidência de sua fé na grande libertação que estava para lhes ser concedida. Eles reconheceram que eles mesmos tinham algo a fazer para garantir a segurança de seus primogênitos. O sinal de sangue deveria ser colocado sobre suas casas. Esse sinal de sangue era a insígnia de proteção que tornou cada casa israelita um lugar seguro.
8. Então a praga foi aplicada com força esmagadora. O orgulho do Faraó que desafiava os céus estava agora humilhado até o pó.
O rei "levantou-se de noite, ele, todos os seus oficiais e todos os egípcios; e fez-se um grande clamor no Egito, pois não havia uma casa em que não houvesse um morto. Então, naquela mesma noite, chamou a Moisés e a Aarão e lhes disse: Levantai-vos, saí do meio do meu povo, assim vós como os filhos de Israel; ide, servi ao Senhor, como tendes falado. Levai também convosco vossas ovelhas e vosso gado, como tendes dito; ide-vos embora, e abençoai-me também a mim. Os egípcios apertavam com o povo, apressando-se em lançá-los fora da terra, pois diziam: Todos morreremos." Êxodo 12: 30-33 (H).
9. Assim Israel tornou-se um povo livre — libertado pelo manifesto poder de Deus.
A gratidão e fé nos corações do povo encontrou depois expressão no triunfante hino de gratidão registrado em Êxodo 15. Esse cântico, que comemora a grande libertação do povo hebreu, testifica de que Deus é a esperança de todos os que confiam nEle.
10. A Páscoa, com todos os seus aspectos essenciais, devia ser celebrada por Israel em nenhum outro lugar, exceto aquele que o próprio Deus designasse. Citamos:
• "Não poderás sacrificar a páscoa em nenhuma das tuas cidades que te dá o Senhor teu Deus; senão no lugar que o Senhor teu Deus escolher para fazer habitar nele o Seu nome, ali sacrificarás a páscoa, à tarde, ao pôr do sol, ao tempo em que saíste do Egito." Deuteronômio 16: 5, 6 (H).
11. Por vários séculos, a observância das festas anuais de Israel centralizava-se em qualquer lugar que seu santuário portátil era localizado. Mas depois que o primeiro templo foi construído no reinado do rei Salomão (971-931 A. E. C.), Jerusalém era o local designado, como declarado:
• "E a seu filho darei uma tribo: para que Davi, Meu servo, tenha sempre uma lâmpada diante de Mim em Jerusalém, a cidade que escolhi para pôr ali o Meu nome. " I Reis 11: 36 (H).
